Antes do IBAN, cada país identificava as contas bancárias à sua maneira. Um RIB francês, um Kontonummer alemão com o respetivo Bankleitzahl e um sort code britânico tinham comprimentos, campos e regras de verificação diferentes. Os bancos que recebiam um pagamento do estrangeiro tinham muitas vezes de corrigir à mão dados de conta incompletos ou errados, o que tornava as transferências entre países lentas e caras.
Primeiro, uma norma europeia
O IBAN foi concebido pelo European Committee for Banking Standards (ECBS). A sua norma EBS204, "IBAN: International Bank Account Number", foi publicada pela primeira vez em novembro de 1996. O comité mantinha também um registo dos formatos de conta nacionais dos países membros.
Os autores pensaram num formato de número de conta único para todos e abandonaram a ideia; a própria norma descreve-a como "uma ideia rapidamente posta de parte por ser inviável e pouco prática". Optaram antes por envolver o número existente: cada país mantém o seu número nacional, o BBAN, e põe-lhe à frente um código de país e dois dígitos de controlo. Esta decisão explica porque é que os IBAN continuam a ser diferentes de país para país.
Do ECBS à ISO 13616
O trabalho do ECBS deu origem a uma norma internacional, a ISO 13616, que teve quatro edições:
| Ano | Edição | O que trouxe |
|---|---|---|
| 1997 | ISO 13616:1997 | Primeira edição internacional |
| 2003 | ISO 13616:2003 | Segunda edição, que substituiu a primeira |
| 2007 | ISO 13616-1 e 13616-2 | Divisão em duas partes: a estrutura do IBAN e o papel da autoridade de registo |
| 2020 | ISO 13616-1:2020 e 13616-2:2020 | Revisão menor; o anexo sobre o formato impresso passou a ser informativo. Confirmada como atual em 2026 |
O método dos dígitos de controlo, MOD 97-10, vem de outra norma, a ISO/IEC 7064. Como funcionam os dígitos de controlo do IBAN mostra-o passo a passo.
Os primeiros IBAN
Os países começaram a emitir IBAN em alturas diferentes. O registo do ECBS indica a França em primeiro lugar, em 1997, seguida da Alemanha a 1 de fevereiro de 1998. Mais algumas datas do mesmo registo:
| País | Os bancos começaram a emitir IBAN |
|---|---|
| França | 1997 |
| Alemanha | Fevereiro de 1998 |
| Países Baixos | Agosto de 1999 |
| Itália | Janeiro de 2000 |
| Espanha, Bélgica | Junho de 2000 |
| Reino Unido | Abril de 2001 |
| Grécia | Janeiro de 2002 |
| Polónia, Eslováquia | Maio de 2004 |
| Tunísia | Abril de 2004, o primeiro país fora da Europa no registo |
| Turquia | Setembro de 2005 |
A SWIFT e o IBAN Registry
Em 2006, a ISO designou a SWIFT como autoridade de registo da ISO 13616. A SWIFT publicou a primeira versão do seu IBAN Registry em abril de 2007 e tem-no mantido atualizado desde então. Só um organismo nacional de normalização ou um banco central nacional pode pedir à SWIFT que registe um país ou altere o seu formato.
O registo foi crescendo de forma constante. Incluía 51 países e territórios em janeiro de 2011, 77 em maio de 2020 e 89 a partir de dezembro de 2024. A versão 102, publicada em junho de 2026, continua a incluir 89.
O IBAN para lá da Europa
Alguns dos países que entraram no registo depois da Europa:
| Ano | Países adicionados |
|---|---|
| 2008 | Arábia Saudita |
| 2010 | Cazaquistão, Líbano, Geórgia |
| 2011 | Emirados Árabes Unidos, Costa Rica, Barém |
| 2012 | Paquistão, Guatemala, Palestina |
| 2013 | Brasil, Catar |
| 2014 | Jordânia, Kosovo (com o código XK, que não é um código de país ISO oficial) |
| 2016 | Ucrânia |
| 2016 a 2017 | El Salvador, Iraque, Bielorrússia |
| 2020 | Egito, Líbia |
| 2021 | Sudão, Burundi |
| 2022 | Jibuti, Rússia |
| 2023 | Somália, Mongólia, Nicarágua, Ilhas Falkland |
| 2024 | Omã, Iémen, Honduras |
A Cidade do Vaticano foi adicionada entre 2018 e 2019, quando também aderiu à zona SEPA. Algumas datas são aproximadas, porque os históricos públicos de alterações do registo têm lacunas.
Formatos que mudaram
Os formatos nacionais são estáveis, mas alguns mudaram:
- A Costa Rica passou de 21 para 22 caracteres em 2016. É a única alteração de comprimento que encontrámos nas versões do registo publicadas desde 2011.
- A Sérvia mudou de código de país. Os IBAN emitidos com o código conjunto CS da Sérvia e Montenegro passaram a IBAN RS a 3 de março de 2007.
- No Brasil, o código do banco passou a poder conter letras. Desde uma atualização em vigor em agosto de 2026 (Resolução BCB n.º 585, do Banco Central do Brasil), o código ISPB de 8 caracteres que abre o BBAN pode conter letras além de dígitos; o comprimento continua a ser de 29 caracteres.
- Adotar o euro não alterou o IBAN na Croácia (2023) nem na Bulgária (2026): os seus IBAN não contêm nenhum código de moeda, por isso os dois países mantiveram o formato. Alguns formatos contêm um, como os da Maurícia e das Seicheles.
A SEPA torna o IBAN obrigatório
Durante anos, o IBAN foi sobretudo um identificador internacional. Isso mudou com a Área Única de Pagamentos em Euros (SEPA). Um regulamento da UE de 2012 obrigou as transferências e os débitos diretos em euros a usar o IBAN a partir de 1 de fevereiro de 2014, com um período de transição até 1 de agosto de 2014, e a partir de 31 de outubro de 2016 nos países da UE fora da zona euro. Os bancos ficaram também proibidos de pedir o BIC aos clientes. IBAN e SEPA conta essa parte da história.
Desde 9 de outubro de 2025, os bancos da zona euro têm também de verificar se o IBAN corresponde ao nome da pessoa ou empresa a quem está a pagar, antes de confirmar uma transferência. Chama-se a isto verificação do beneficiário (Verification of Payee) e resulta do Regulamento (UE) 2024/886.
Hoje
O IBAN Registry inclui 89 países e territórios. O IBAN mais curto é o da Noruega, com 15 caracteres, e o mais longo é o da Rússia, com 33. A norma permite até 34, mas nenhum país os usa todos.
Grandes economias como os Estados Unidos, a China, a Índia, o Japão, o Canadá e a Austrália continuam a usar os seus próprios números de conta; veja países que não usam IBAN.
Fontes
- ISO 13616-1:2020: a edição atual da norma do IBAN.
- ISO/IEC 7064: o método de dígitos de controlo MOD 97-10.
- SWIFT IBAN Registry, versão 102 (junho de 2026), e os registos de alterações publicados: os países, os formatos e as datas deste artigo.
- Regulamento (UE) n.º 260/2012: os prazos da SEPA e a regra de que basta o IBAN.
- Regulamento (UE) 2024/886: a verificação do beneficiário.
- ECBS, EBS204 "IBAN: International Bank Account Number" (1996 e edições posteriores) e o registo de formatos nacionais do ECBS: a origem do IBAN e as primeiras datas de emissão.